Como a inteligência artificial está elevando o padrão de gestão de ativos no setor elétrico
- engelesert
- há 4 dias
- 3 min de leitura
No setor elétrico, a inteligência artificial só faz sentido quando sai do discurso e entra na operação — e é exatamente isso que começa a acontecer.
22/06/2026, 09:32:42
Durante algum tempo, a IA circulou no setor elétrico quase sempre como promessa: aparecia em painéis, estudos e apresentações sobre o futuro da energia, mas ainda distante da rotina de quem precisa operar ativos, reduzir perdas, antecipar falhas e tomar decisões melhores com menos margem para erro.
Esse cenário está mudando.
A relevância da inteligência artificial cresce justamente quando ela deixa de ser tratada como vitrine de inovação e passa a ser aplicada em problemas concretos: manutenção preditiva, organização de dados, agilidade operacional, gestão de atos regulatórios, resposta mais rápida a falhas e apoio à tomada de decisão. É aí que a tecnologia começa, de fato, a elevar o padrão de gestão de ativos no setor elétrico.
IA só gera valor quando melhora a operação
Na minha leitura, esse é o ponto central. O setor elétrico não precisa de inteligência artificial para parecer moderno. Precisa de inteligência artificial para operar melhor.
A EPE já trata a digitalização como um vetor com impacto direto sobre o setor de energia, ao destacar que tecnologias como IoT, big data, analytics e inteligência artificial podem contribuir para estruturas mais eficientes, melhor gerenciamento de perfis de consumo e novas formas de operação e planejamento. Ao mesmo tempo, a empresa alerta que essa transformação exige infraestrutura de TIC adequada, dados confiáveis e atenção crescente à segurança da informação.
Isso ajuda a colocar a discussão no lugar certo. A IA não é uma camada decorativa. Ela passa a ter relevância quando melhora a qualidade da decisão operacional.
O setor já começou a aplicar isso na prática
Os sinais mais interessantes vêm justamente de onde a operação exige mais disciplina e escala.
Na CCEE, o serviço de manutenção de ativos registrou crescimento de 55% nas solicitações em relação a 2024, com média mensal de 1.150 solicitações em 2024 e manutenção desse patamar no primeiro quadrimestre de 2025. No mesmo contexto, a Câmara informa que investiu em nova infraestrutura computacional, triplicando a capacidade de armazenamento e processamento de dados e entregando sistemas com tempo de resposta até dez vezes mais ágil. A instituição também afirma ter concluído a primeira etapa de um projeto com uso de machine learning na gestão de atos regulatórios, com impacto direto na agilidade e eficiência das operações.
Esse tipo de exemplo é importante porque tira a IA do campo abstrato. Mostra que ela já começa a ser usada para lidar com volume, complexidade e velocidade — três fatores que pesam diretamente na gestão de ativos e no desempenho operacional do setor.
Não é só automação. É capacidade de antecipação.
Quando se fala em gestão de ativos, o verdadeiro salto não está apenas em automatizar tarefas. Está em antecipar problemas.
O próprio MME, em relatório sobre smart grids, já apontava que a adoção de sistemas inteligentes como suporte à manutenção preditiva baseada na condição dos equipamentos pode levar a gestão dos ativos de distribuição a um novo patamar, com reflexos positivos na rentabilidade e também na percepção de qualidade do serviço pelo usuário final. Em paralelo, estudo do Ministério sobre transformação digital indica que, entre empresas brasileiras ouvidas, 32% já apontavam a inteligência artificial entre as tecnologias mais adotadas no processo de digitalização.



